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NOMES, NOMBRES E NAMES.

NOMES, NOMBRES E NAMES.

…Daí, quando começamos a mandar nossos personagens de histórias em quadrinhos para o exterior, surgiu o desafio de encontrar nomes adequados para eles em outras línguas.

Se, no Brasil, tínhamos todo um cuidado para que nome e personagem “combinassem”, com musicalidade e um tantinho de cuidado com o marketing, como fazer em outros países?

Teríamos que contar com uma boa ajuda dos nossos agentes internacionais, com colegas desenhistas, com editores de revistas de quadrinhos e com um pouco de nossa própria sensibilidade.

E assim foram nascendo alguns novos “batismos”: Mônica ficou com nome quase igual em diversos lugares. Aqui ou ali sem o acento circunflexo. E mesmo na França, em recente lançamento, não é Monique. Ficou Monica (com tônica no a). E na Alemanha, Indonésia e Grécia, Monika.

O Cebolinha na Itália não ficou tão difícil. Cipollino lembra o original em português. Em espanhol também não foi tão diferente: Cebollita. Mas e em inglês? Little
Onion (pequena cebola?). Não tem nada a ver.

Foi quando a Maura, minha irmã e responsável pelo nosso escritório em New York, sugeriu uma solução: como o Cebolinha tem cinco fios de cabelo, poderia ser “rebatizado” como Jimmy Five.

Mas por que esse nome?

Para que cada vez que um “kid” (garoto) cumprimentasse outro com aquela célebre batida de mãos abertas, falando “give me five”, lembrasse nosso personagem.

Na Indonésia (em javanês) escolheram uma copiazinha do inglês: Jimmy Lima.

A Magali ficou Maggy em inglês, Megi em Jacarta e continuou Magali na Itália e em espanhol.

O Bidu virou Blu (de azul) em inglês, continuou Blu em italiano e voltou a ser Bidu em espanhol.

O Cascão virou uma porção de coisas meio sujinhas nas diversas línguas: em inglês vem de Smudge, Puzzone em italiano, Cascarón em espanhol e Dekil, em javanês. Tudo
cheirando meio mal.

O Anjinho é Angel nos Estados Unidos e Angelito para os países de língua espanhola.

O Horácio mantém quase que em todas as línguas a mesma grafia. Afinal, é um nome latino que não tem tradução e é entendido por todos.

O Chico Bento é Chuck Billy para os americanos, Chico Bento, mesmo, para os espanhóis e Chico nos países europeus.

O Piteco quando muito, em outros países, ganha um “H”. Fica Pitheco.

O Penadinho (fantasminha) vira Bug-a-booo em inglês. Com os coleguinhas de cemitério renomeados como Sally Soul (Alminha); Lady MacDeath (Dona Morte); Wolfgang (Lobisomem); Vic Vampire (Zé Vampiro); Moe the Mummy (Muminho); Skully (Cranicola); Frank é Frank e Little Boy Boo é o Pixuquinha.

A Tina continua Tina em outros lugares, também.

E sugerem Tom-Tom para o Papa-Capim mas eu não gosto. Vou procurar outro nome.

Astronauta é Bubbly em inglês e sua ex-namorada Ritinha virou Isabel.

A Turma da Mônica virou “Monica´s Gang” para os americanos.

E assim vai, com mais uma série de nomes de personagens secundários. E quanto mais criamos, mais precisamos buscar a musicalidade dos nomes em outros países.

E tudo isso, apesar do trabalho que dá, nos proporciona também um momento gostoso de satisfação e realização: afinal, é uma ponte, uma maneira de chegarmos às crianças do mundo inteiro com nossos personagens. Com nomes diferentes, às vezes esquisitos para nós, mas, com o mesmo tipo de mensagem positiva, alegre, divertida com que nascem aqui, nos nossos estúdios brasileiros.

Mauricio de Sousa
08.05.1998

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