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Bidu Primeiro e Único.

Bidu Primeiro e Único.

Como já “disse” em diversas das minhas crônicas, o cãozinho Bidu foi meu primeiro personagem de história em quadrinhos.

Junto dele veio o Franjinha. Mas, pra mim, cachorrinho é sempre personagem principal. Dono de cachorro, com o devido respeito, é coadjuvante.

Mas como todo cachorro assume um dono, que venha o Franjinha, também, como um dos primeiros personagens.

Seguido do Cebolinha, ainda muito cabeludinho e meio enfezado.

E essa turminha, nesta semana, voltou com toda a força aos meus olhos e às minhas lembranças.

Graças a antigas revistas que me chegaram às mãos, presenteadas por um amigo gaúcho — o desenhista Lancast.

Foram as primeiras revistas que desenhei. Mas não tinha nenhuma em meu poder.

Elas deixaram de circular há bem uns 40 anos.

Duraram uns 5 ou 6 números, apenas. Não me lembro bem.

Só me lembro que foram lançadas lá pelo ano de l960, pela editora Continental, da rua da Mooca.

Seus diretores — Miguel Penteado e Jayme Cortez — me convenceram de que eu poderia escrever e desenhar uma revista de 32 páginas todo mês e ganhar um bom dinheiro com isso.

Nesse tempo eu ainda era repórter policial e trabalhava até tarde na redação da Folha.

Mas o entusiasmo pela possibilidade de lançar uma revista só com meus personagens era maior do que o tempo físico de que eu dispunha.

E passei a desenhar varando as noites. Dormindo muito pouco. E enfrentando os plantões das delegacias, no dia seguinte, “cambeteando” de sono.

Pra ganhar algo em torno de um salário mínimo (da ocasião).

Escrevia as histórias, desenhava a lápis, fazia a arte-final em nanquim, requadrava e mandava para a editora. Só as letras eram “desenhadas” na redação, já que isso eu não agüentaria fazer.

Logicamente não consegui produzir mais do que uns 4 ou 5 números.

A editora, tentando me animar e dar mais tempo, repetiu histórias num último número. Mas ficou nisso.

A revista seguinte viria somente 10 anos depois — foi a Mônica — mas daí eu já contava com o auxílio de uma boa equipe.

Estou relendo as histórias, revivendo emoções e estudando como era a cabeça do Mauricio de quarenta anos atrás.

É uma volta no tempo, uma viagem divertida, cheia de redescobertas.

Que quero dividir com vocês num projeto editorial que pretendo apresentar à minha editora atual — a Globo.

Vou sugerir uma reedição dessas velhas histórias, talvez num único álbum. Para começar a contar a história das minhas histórias.

Depois vou buscar as tiras antigas, impressas e arquivadas nos velhos exemplares da Folha de S. Paulo. Depois vou ainda tentar descobrir onde andam os arquivos dos
jornais Diário de São Paulo e Diário da Noite, que também publicavam tiras.

Tenho muitos originais guardados. Mas um ou outro se perdeu pelo tempo, os arquivos dos jornais podem me ajudar a resgatar o resto desta minha viagem pelos meus próprios quadrinhos.

Recordar é viver.

Principalmente, quando se pode recordar… e continuar realizando.

Como eu gosto de fazer.

Será um prazer!

Mauricio de Sousa
18.05.2001

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