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Agora Vamos Para Onde Estivemos.

Agora Vamos Para Onde Estivemos.

Foi há uns 20 anos.

Eu ainda tinha contrato com a Editora Abril, que publicava todas as nossas revistinhas com sucesso.

Um dia, em conversa com o presidente e fundador da Editora, Victor Civita, falei da minha vontade de exportar as peraltices da Turma da Mônica.

Não se passou muito tempo e o Victor Civita, chegando de uma viagem, me chamou e disse que havia aberto as portas da Europa para mim: deixara a Editora Ehapa Verlag, da Alemanha, prontinha para publicar nosso material. Era só eu ir lá e acertar com um certo senhor Kabatech os detalhes e a Mônica já sairia falando alemão. O “supervendedor” Victor Civita havia convencido a Editora alemã a publicar nossas histórias em quadrinhos em quase todos os países europeus.

Fui até Stuttgart, bela cidade encostada à Floresta Negra, na Alemanha, para as negociações e montagem da estratégia de lançamento. Uma jovem redatora, com experiência de muitos anos de Brasil cuidaria da versão português-alemão, sem a necessidade da passagem pelo inglês.

E nasceu a revista “Fratz & Freunde”, com uma delícia de texto e tiragens de mais de 50.000 exemplares. Um bom número para a Alemanha. Para quem não conhece o alemão, “Fratz”seria o nome do Cebolinha, e “& Freunde”, seus amigos.

E não ficava só nisso; havia as edições em sueco, filandês, inglês, norueguês…uma festa de idiomas, varrendo desde a Inglaterra até a Áustria.

Até que um dia, numa passagem minha pela Europa rumo ao Congresso de Histórias em Quadrinhos De Lucca, na Itália, procurei minhas revistas nas bancas do aeroporto de

Frankfurt e não as encontrei. Procurei em outras bancas e nada.

Estranhei bastante, fui para a Itália e na volta, num quiosque na Suíça, tive uma informação preocupante: o jornaleiro me dizia que tinha “ordens” para, assim que recebesse as revistas, escondê-las sob os jornais. Depois deveria devolvê-las como encalhe (não vendidas).

Não quis me informar de onde vinham as “ordens”.

Mas levantou uma pilha de jornais e lá estavam as revistas “Fratz”, novinhas em folha. Prontas para a devolução.

Entrei em contato imediato com a editora, que era parte do grupo “Guttenberg Huss”, da Dinamarca.

E fui para Copenhague discutir o problema.

Lá tomei conhecimento do resto da história: minhas revistas estavam atrapalhando a “invasão japonesa”, ou seja, publicações que davam apoio aos desenhos animados nipônicos e que começavam a invadir o mundo pela TV e utilizavam a mídia impressa como ponta de lança.

Fora isso, outro grupo multinacional se preocupava com nossa presença. Representantes dessa empresa chamaram nossos editores e lhes ofereceram a representação européia de seus produtos. Com tudo o que tinham para ofertar junto: filmes, revistas, livros, merchandising.

Desde que não houvesse concorrente por perto (eu).

Meus editores até ficaram meio sem graça, mas…negócio é negócio. Eu não tinha a força dos japoneses ou da multinacional americana.

Agradeci pelos 4 anos que durou nossa parceria e voltei ao Brasil. Precisava preparar nossos estúdios para a competição.

Aprendi a produzir desenhos animados e crescemos bastante em outras áreas. Mas a situação econômica do país nos fez atrasar alguns projetos, que retomamos agora.

Hoje vários agentes internacionais retomam a Mônica e voltamos a fazer desenho animado.

Agora vamos!…

Mauricio de Sousa
05.09.97

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